


| Ensaio para Discussão: Autonomia e Heteronomia da Profissão Secretária |
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Leida Moraes - mar-2005 “Democracia é quando eu mando em você. Ditadura é quando você manda em mim”. As lendas e mitos falam muito e de diferentes formas da mulher. Por exemplo, na mitologia grega há uma lenda que diz que no início dos tempos homens e mulheres não existiam. Eram um ser único e como tal eram tão fortes e poderosos que os deuses do Olimpo dividiram esse ser em duas metades (isso nos lembra a expressão cara-metade, que existe até hoje). Desde então homens e mulheres tentam se unir para recuperar a força perdida. Daí o amor, daí a relação sexual. Ao mesmo tempo no Oriente Médio, importante berço da civilização, um dos mais antigos mitos é o da Grande Mãe, que via a mulher como capaz de gerar outro ser. Não se compreendia como, de tempos em tempos, o ventre da mulher aumentava e dali saia uma criança, pois não havia conexão entre sexo e procriação. Acreditava-se que a mulher era um ser autônomo, capaz de sair de seu próprio corpo e capturar a semente de uma criança e sozinha torná-la outro ser. Esse mito era tão verdadeiro que as figuras mais antigas encontradas até hoje por arqueólogos, datam de 20 mil anos a.C, são as de mulheres com fartos seios, cadeiras largas, que evidenciavam a facilidade da mulher em, sendo autônoma, gerar outro ser. Os homens foram aparecer, em figura, cerca de 10 mil anos a.C. depois. Embora não todas, hoje sabemos muitas das diferenças biológicas e neurológicas existentes em cérebros masculinos e femininos. A ciência cognitiva descobriu isso há mais tempo. Atualmente os biólogos confirmaram essa descoberta. Eles descobriram que: quando o cérebro divide as “tarefas” que deve realizar, entre os hemisférios esquerdo e direito, o cérebro do homem e da mulher faz isso de formas diferentes. Sabe-se também hoje, que o hormônio estrogênio relacionado apenas à mulher e à sua capacidade de reprodução,, também existe nos homens e influenciam as mais diversas capacidades humanas. Como o comportamento, e emoção, estratégias que vamos adotar para resolver certos assuntos, etc. Ao mesmo tempo a ciência questiona hoje o modo como se produz a consciência e até que ponto somos livres ou apenas produto do funcionamento dos nossos neurônios, numa sociedade fundada na idéia de que somos responsáveis por nossos atos, palavras, enquanto pessoa e não enquanto produto de qualquer mecanismo que seja (interno ou externo ao nosso corpo). Enquanto produto, o ser humano em sua inserção na sociedade, encara o trabalho como fundamental para sua liberdade. Porém, quase na mesma direção dos neurologistas e biólogos, os historiadores, sociólogos, economistas, engenheiros e antropólogos questionam até que ponto o homem se liberta, através do trabalho, visto que não se submete enquanto pessoa à coerção externa, mas segue, enquanto funcionário, determinação interna da empresa, que define as possibilidades e as razões da sua ação produtiva e dos demais trabalhadores. Ou seja, o trabalhador em geral sabe muito bem o equipamento que controla, o programa de computador que utiliza, o domínio de idiomas, as atribuições de seu trabalho, seja ele qual for, mas sua área de atuação esta, por mais ampla que possa parecer, restrita às determinações financeiras e de produção que ele na verdade nunca teve e não tem acesso. Em outras palavras a dominação do capital sobre o trabalho vivo. Mesmo assim muitos trabalhadores pensam que são livres no trabalho, que têm autonomia, esquecendo-se que não existe autonomia se não for acompanhada de uma autonomia cultural. moral e política, que transcende além dela mesma gerando insubmissão, questionamentos, temas esses que não encontram espaço no sistema capitalista. No capitalismo o trabalhador é soberanamente livre dentro dos limites impostos por outro: livres para realizarem as finalidades de um amo, mas livres apenas para isso. O trabalhador não compreende essa liberdade limitada como a venda de si e não percebe que esse é o único modo que sustentava a riqueza até há poucos anos. Em outras palavras a massa de trabalhadores agiu de forma heterônoma, permitindo que outros determinassem suas próprias leis. Assim vem ocorrendo através dos tempos com todos os trabalhadores e também com a profissão de secretária. Só que a ciência da informação, o saber em geral, a comunicação lingüística, se transformaram pouco a pouco nos novos pilares centrais de sustentação de riqueza e produção, e o profissional de secretariado, inserido nesse contexto, se distancia do demais trabalhadores ligados apenas à produção. Nem por isso o profissional secretário exerce na sua plenitude a autonomia que possui, exercitando diariamente, ampliando seus horizontes e acumulando conhecimentos. Temos sim uma parcela consciente de profissionais que desafiam os tempos, se preparam continuamente quase nunca ficam sem empregos, investem em si e são donos de seus destinos, agindo como autônomos, nesse contexto a pessoa que possui a faculdade de se governar por suas próprias leis, dirigir-se por vontade própria. Ou seja, possuem autonomia sobre seus próprios destinos. Mas uma parcela considerável de nossos profissionais ao invés de serem autônomos são heterônomos, que é, neste caso, o trabalhador que recebe sua lei de fora, em vez de extraí-la de si mesmo. Por isso se acomodaram, no mercado de trabalho, ao invés agirem de forma a atender adequadamente as novas necessidades do mercado de trabalho e as exigências da profissão. De forma resumida autonomia é a faculdade de governar-se a si, por suas próprias leis, ou dirigir-se por vontade própria e heteronomia é a faculdade de receber sua lei de fora, em vez de extraí-la de si mesmo. Portanto Autônomo e heterônomo são opostos. A vida diária, repleta de novos acontecimentos, nas mais variadas áreas, exige cada vez mais que sejamos autônomos e exerçamos nossa autonomia, relegando a um segundo plano trabalhadores heterônomos, que adotaram ou adotam a heteronomia como padrão de comportamento. Se analisarmos apenas um dos produtos de consumo hoje, percebemos claramente quão rápido eles mudam. Vejamos o caso de um telefone celular último tipo, é último tipo por no máximo 4 a 5 meses. Logo substituído por outro de mais recursos. Da mesma forma o saber perde a metade do seu valor em um prazo cada vez mais curto e como ele é recomposto? O saber em questão de pouco tempo é atomizado. Mas como e com quais recursos ele é otimizado? Para reflexão podemos adotar também o idioma. Para muitas profissões, ou posições no mercado de trabalho, inglês fluente e português perfeito não são mais suficientes. Há uma forte tendência do mercado de contratarem poliglotas. Pois chegou-se à conclusão que a falta de comunicação adequada afeta a credibilidade e dificulta o sucesso nos negócios, e comunicação neste caso é entendida em termos mais abrangentes, como conhecer não só o idioma, mas também a cultura de outras nações. O desafio está posto. É preciso conhecer sua profissão como um bem valioso, que vai ajudar a enfrentar os desafios que virão e suas próprias capacidades de autonomia e heteronomia. Essa situação ambígua prevalecerá no mercado por alguns anos. O sistema que ainda é capitalista, muda aceleradamente, e é preciso saber o que se quer, quais caminhos percorrer, quando se escolhe um padrão de comportamento. É preciso saber trabalhar, é preciso saber discernir... para poder viver. Enfim, como diz a música... é preciso saber viver.... Você vai decidir seu caminho ou vai permitir que outros decidam? Referências Bibliográficas
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